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Brasil, o País do Carnaval ou da Festa Junina?

Atualizado: 28 de jun.

 

O Brasil é conhecido como o país do carnaval, essa é a festa brasileira de maior repercussão no mundo, no entanto, o que a maioria dos estrangeiros não sabe é que existe uma outra festa que também marca a cultura do povo brasileiro: são as chamadas festas juninas, as quais celebram os dias de três santos católicos, o Santo Antônio (13 de junho), o São João (24 de junho) e o São Pedro (29 de junho).


História


Como não conseguia simplesmente eliminar as festas pagãs da Europa, a igreja católica costumava incorporá-las ao seu calendário. Assim os rituais da colheita no solstício de verão foram integrados às comemorações dos santos celebrados no mês de junho. Quando chegou ao Brasil, essa mistura ganhou elementos ainda mais distantes da cultura europeia, fundindo-se a tradições afro e ameríndias, ganhando um caráter mais festivo e colorido, até chegar ao formato que tem hoje. No início, a festa era chamada de festas joaninas em referência ao São João, depois passou a se chamar festa Junina em referência ao mês de junho.


Como É a Festa?


A festa, promovida pela igreja, era também um motivo de realização da quermesse, uma espécie de feira para arrecadação de fundos, por isso ela tem muitas barracas com jogos. Também tem brincadeiras de competição entre os participantes. As mais comuns são a pescaria, a corrida do saco, a corrida do ovo na colher, o pau de sebo e o correio do amor. O ambiente é decorado com bandeiras coloridas, soltam-se fogos e as pessoas brincam de pular fogueiras. Essa tradição de acender fogueira é uma referência à história da personagem bíblica Isabel que, com a finalidade de contar à prima que seu filho tinha nascido, fez uma fogueira para que a fumaça fosse um alerta do nascimento de João Batista.



A Quadrilha


Como é a celebração da colheita, a festa junina é marcada pelas tradições do campo (também chamado de roça). As pessoas então se “fantasiam” de caipira – termo estereotipado para definir uma pessoa que vive em região agrária e que não conhece a vida urbana. Os brincantes usam roupas em geral xadrez sempre muito coloridas e remendadas com retalhos, chapéu de palha e as mulheres usam tranças nos cabelos. Também fazem maquiagens que imitam sardas, bigodes e até falta de dentes.

A música da festa é o forró, gênero musical que utiliza principalmente o zabumba, o acordeão e triângulo, e tem como foco a vida e a luta do homem da roça. O forró é junto com o samba o ritmo mais presente nas tradições da cultura brasileira. O ponto auge da festa junina é a exibição da quadrilha, uma dança que surgiu nos salões da corte de Paris e que no Brasil assumiu tons de comédia. É uma espécie de imitação debochada do comportamento da aristocracia. Casais “fantasiados” de caipiras imitam cortesãos dançando a quadrilha com coreografias ensaiadas e fazendo brincadeiras.

Em homenagem ao santo casamenteiro, Santo Antônio, uma história clássica - muito comum num passado conservador - é encenada com humor durante a apresentação da quadrilha. É o casamento da roça protagonizado pelo padre, o delegado e os noivos.  Na narrativa, um rapaz engravida uma moça e tenta fugir, mas o pai dela, com medo do vexame de ter uma filha solteira grávida, chama o delegado que obriga o rapaz a casar contra a sua vontade. Em algumas versões da quadrilha ainda aparece um ex-namorado da noiva que tenta impedir o casamento, mas não consegue. O final é sempre feliz e todos celebram a união do casal.



Comidas Típicas


A festa que celebra os santos e a colheita é marcada por comidas típicas que variam muito de acordo com a região do país, mas a maioria é à base de milho e amendoim. As guloseimas mais tradicionais são o bolo de milho, o pé de moleque, a maçã do amor e as bebidas são o quentão e o licor.


Festa junina pelo Brasil


Por todo o país a festa junina é popular, porém nas regiões Norte e Nordeste ela ganha proporções gigantescas, podendo ser maior do que o carnaval em muitos estados. Nessas regiões a festa junina é mais conhecida como festa do São João, nelas o dia de São João é feriado e há uma forte migração das famílias das grandes cidades para o interior, locais onde as festas são maiores e mais tradicionais. A cidade que possui a festa considerada a melhor do Brasil é Campina Grande no estado da Paraíba, mas a maior de todas as festas acontece em São Luís do Maranhão.


Festa junina no mundo atual


Nas últimas décadas, porém, algumas tradições da festa junina vêm sofrendo críticas e mudanças em sua essência. Uma delas é em relação ao uso de estereótipos em relação à população do campo. No passado essas fronteiras entre campo e cidade eram muito distantes e havia, de fato, um comportamento depreciativo das pessoas da cidade em relação ao homem do interior que vivia isolado e com menos acesso à informação. Como hoje esse cenário mudou, uma parcela da população do campo critica o estereótipo do caipira que marca a festa.

Outra crítica é a crescente "carnavalização" da tradição. Cada vez mais a festa junina, considerada um patrimônio cultural brasileiro, perde a ênfase na religião e cede espaço para a criação de grandes festivais focados apenas em apresentações de bandas de música e muitas delas com ritmos que não são o forró.

E por fim, vemos atualmente a crítica dos adeptos das igrejas pentecostais. Religião que cresce em ritmo acelerado no Brasil. Esses religiosos não permitem que seus filhos participem da festa que faz parte do calendário escolar, por se tratar de uma celebração santos católicos não reconhecidos como sagrados pelos protestantes. E para evitar que esses alunos se sintam excluídos, algumas as escolas estão trocando o nome da comemoração ou simplesmente excluindo-as de sua programação.


O País do Carnaval?


Agora você já conhece a festa junina, a maior festa do Brasil depois do carnaval. Ou poderíamos chamá-la de carnaval do inverno?  O que sabemos é que país do carnaval também é o país da festa junina, pois nenhum outro país católico movimenta tantos recursos com a festividade quanto o Brasil. Segundo o Ministério do Turismo, em 2023 a movimentação econômica foi de R$ 2 bilhões em retorno financeiro. Em São Paulo, a festa gerou 15.950 empregos. As celebrações também lotam os meios de hospedagens em todo o país. A taxa de ocupação em hotéis de algumas cidades chega a 95%. O fato é que este é um país que sabe fazer festas, é a arte de transcender às dores cotidianas de uma sociedade com tantos problemas sociais.


Por: Professora Núbia



SUMÁRIO:


Colheita: pegar o fruto da árvore ou da terra.

solstício de verão: momento em que certo polo da terra está inclinado para o sol ao seu máximo possível.

Ameríndias: uma das maneiras de chamar os povos que já habitavam as Américas antes da colonização dos europeus.

Barraca: pequeno abrigo de plástico, madeira ou outro material usado para vender mercadorias.

Pescaria: um jogo da festa junina onde se pesca peixes de brinquedo introduzidos parcialmente em um espaço com areia e que possuem um número escondido. O jogador pesca esse peixe e depois descobre qual prêmio corresponde a sua numeração.

Pau de sebo: Uma quantidade atraente de dinheiro colocado no topo de um tronco coberto com uma substância gordurosa e escorregadia e . O jogador que consegue subir, ganha o prêmio.

Correio do amor: é uma mensagem enviada para algum amor secreto.

Fantasiar: usar uma roupa customizada, com referência algum personagem. No carnaval as pessoas se fantasiam com máscaras, ou personagens de pirata ou anjo.

Brincantes: a pessoa que, aquele que celebra uma festa.

Remendado: parte de roupa que recebeu uma parte de outro roupa para fechar um buraco.

Retalhos: pedaço pequeno de uma roupa, pedaço pequeno de um tecido.

Casamenteiro: aquele que promove casamentos.

Vexame: situação ridícula.

Guloseimas: qualquer alimento muito gostoso que não é necessariamente uma refeição.

Quentão: bebida à base de vinho tinto, cachaça, canela, cravo e gengibre.

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