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  • Brasil, o País do Carnaval ou da Festa Junina?

    O Brasil é conhecido como o país do carnaval, essa é a festa brasileira de maior repercussão no mundo, no entanto, o que a maioria dos estrangeiros não sabe é que existe uma outra festa que também marca a cultura do povo brasileiro: são as chamadas festas juninas, as quais celebram os dias de três santos católicos, o Santo Antônio (13 de junho), o São João (24 de junho) e o São Pedro (29 de junho). História Como não conseguia simplesmente eliminar as festas pagãs da Europa, a igreja católica costumava incorporá-las ao seu calendário. Assim os rituais da colheita  no solstício de verão  foram integrados às comemorações dos santos celebrados no mês de junho. Quando chegou ao Brasil, essa mistura ganhou elementos ainda mais distantes da cultura europeia, fundindo-se a tradições afro e ameríndias , ganhando um caráter mais festivo e colorido, até chegar ao formato que tem hoje. No início, a festa era chamada de festas joaninas em referência ao São João, depois passou a se chamar festa Junina em referência ao mês de junho. Como É a Festa? A festa, promovida pela igreja, era também um motivo de realização da quermesse, uma espécie de feira para arrecadação de fundos, por isso ela tem muitas barracas  com jogos. Também tem brincadeiras de competição entre os participantes. As mais comuns são a pescaria , a corrida do saco, a corrida do ovo na colher, o pau de sebo  e o correio do amor.  O ambiente é decorado com bandeiras coloridas, soltam-se fogos e as pessoas brincam de pular fogueiras. Essa tradição de acender fogueira é uma referência à história da personagem bíblica Isabel que, com a finalidade de contar à prima que seu filho tinha nascido, fez uma fogueira para que a fumaça fosse um alerta do nascimento de João Batista. A Quadrilha Como é a celebração da colheita , a festa junina é marcada pelas tradições do campo (também chamado de roça). As pessoas então se “ fantasiam ” de caipira – termo estereotipado para definir uma pessoa que vive em região agrária e que não conhece a vida urbana. Os brincantes  usam roupas em geral xadrez sempre muito coloridas e remendadas  com retalhos , chapéu de palha e as mulheres usam tranças nos cabelos. Também fazem maquiagens que imitam sardas, bigodes e até falta de dentes. A música da festa é o forró, gênero musical que utiliza principalmente o zabumba, o acordeão e triângulo, e tem como foco a vida e a luta do homem da roça. O forró é junto com o samba o ritmo mais presente nas tradições da cultura brasileira. O ponto auge da festa junina é a exibição da quadrilha, uma dança que surgiu nos salões da corte de Paris e que no Brasil assumiu tons de comédia. É uma espécie de imitação debochada do comportamento da aristocracia. Casais “fantasiados” de caipiras imitam cortesãos dançando a quadrilha com coreografias ensaiadas e fazendo brincadeiras. Em homenagem ao santo casamenteiro , Santo Antônio, uma história clássica - muito comum num passado conservador - é encenada com humor durante a apresentação da quadrilha. É o casamento da roça protagonizado pelo padre, o delegado e os noivos.  Na narrativa, um rapaz engravida uma moça e tenta fugir, mas o pai dela, com medo do vexame  de ter uma filha solteira grávida, chama o delegado que obriga o rapaz a casar contra a sua vontade. Em algumas versões da quadrilha ainda aparece um ex-namorado da noiva que tenta impedir o casamento, mas não consegue. O final é sempre feliz e todos celebram a união do casal. Comidas Típicas A festa que celebra os santos e a colheita é marcada por comidas típicas que variam muito de acordo com a região do país, mas a maioria é à base de milho e amendoim. As guloseimas  mais tradicionais são o bolo de milho, o pé de moleque, a maçã do amor e as bebidas são o quentão  e o licor. Festa junina pelo Brasil Por todo o país a festa junina é popular, porém nas regiões Norte e Nordeste ela ganha proporções gigantescas, podendo ser maior do que o carnaval em muitos estados. Nessas regiões a festa junina é mais conhecida como festa do São João, nelas o dia de São João é feriado e há uma forte migração das famílias das grandes cidades para o interior, locais onde as festas são maiores e mais tradicionais. A cidade que possui a festa considerada a melhor do Brasil é Campina Grande no estado da Paraíba, mas a maior de todas as festas acontece em São Luís do Maranhão. Festa junina no mundo atual Nas últimas décadas, porém, algumas tradições da festa junina vêm sofrendo críticas e mudanças em sua essência. Uma delas é em relação ao uso de estereótipos em relação à população do campo. No passado essas fronteiras entre campo e cidade eram muito distantes e havia, de fato, um comportamento depreciativo das pessoas da cidade em relação ao homem do interior que vivia isolado e com menos acesso à informação. Como hoje esse cenário mudou, uma parcela da população do campo critica o estereótipo do caipira que marca a festa. Outra crítica é a crescente "carnavalização" da tradição. Cada vez mais a festa junina, considerada um patrimônio cultural brasileiro, perde a ênfase na religião e cede espaço para a criação de grandes festivais focados apenas em apresentações de bandas de música e muitas delas com ritmos que não são o forró. E por fim, vemos atualmente a crítica dos adeptos das igrejas pentecostais. Religião que cresce em ritmo acelerado no Brasil. Esses religiosos não permitem que seus filhos participem da festa que faz parte do calendário escolar, por se tratar de uma celebração santos católicos não reconhecidos como sagrados pelos protestantes. E para evitar que esses alunos se sintam excluídos, algumas as escolas estão trocando o nome da comemoração ou simplesmente excluindo-as de sua programação. O País do Carnaval? Agora você já conhece a festa junina, a maior festa do Brasil depois do carnaval. Ou poderíamos chamá-la de carnaval do inverno?  O que sabemos é que país do carnaval também é o país da festa junina, pois nenhum outro país católico movimenta tantos recursos com a festividade quanto o Brasil. Segundo o Ministério do Turismo, em 2023 a movimentação econômica foi de R$ 2 bilhões em retorno financeiro. Em São Paulo, a festa gerou 15.950 empregos. As celebrações também lotam os meios de hospedagens em todo o país. A taxa de ocupação em hotéis de algumas cidades chega a 95%. O fato é que este é um país que sabe fazer festas, é a arte de transcender às dores cotidianas de uma sociedade com tantos problemas sociais. Por: Professora Núbia SUMÁRIO: Colheita: pegar o fruto da árvore ou da terra. solstício de verão: momento em que certo polo da terra está inclinado para o sol ao seu máximo possível. Ameríndias : uma das maneiras de chamar os povos que já habitavam as Américas antes da colonização dos europeus. Barraca : pequeno abrigo de plástico, madeira ou outro material usado para vender mercadorias. Pescaria : um jogo da festa junina onde se pesca peixes de brinquedo introduzidos parcialmente em um espaço com areia e que possuem um número escondido. O jogador pesca esse peixe e depois descobre qual prêmio corresponde a sua numeração. Pau de sebo: Uma quantidade atraente de dinheiro colocado no topo de um tronco coberto com uma substância gordurosa e escorregadia e . O jogador que consegue subir, ganha o prêmio. Correio do amor:  é uma mensagem enviada para algum amor secreto. Fantasiar: usar uma roupa customizada, com referência algum personagem. No carnaval as pessoas se fantasiam com máscaras, ou personagens de pirata ou anjo. Brincantes : a pessoa que, aquele que celebra uma festa. Remendado: parte de roupa que recebeu uma parte de outro roupa para fechar um buraco. Retalhos : pedaço pequeno de uma roupa, pedaço pequeno de um tecido. Casamenteiro: aquele que promove casamentos. Vexame: situação ridícula. Guloseimas: qualquer alimento muito gostoso que não é necessariamente uma refeição. Quentão : bebida à base de vinho tinto, cachaça, canela, cravo e gengibre.

  • A Formação do Português Brasileiro

    O português brasileiro é uma variação do português europeu que só se fala na América do Sul.  Podemos dizer também que em nenhum outro lugar do mundo a língua portuguesa sofreu a influência de tantas culturas diferentes como ocorreu aqui no território brasileiro. O português brasileiro é uma sopa, na qual seu ingrediente principal é português europeu, mas o sabor final contou com uma grande variedade de elementos. E como foi que isso aconteceu? Essa história começa em 1500, com a chegada dos portugueses. Nesse primeiro momento, os jesuítas aprenderam o tupinambá, a língua mais falada em todo o litoral do Brasil. E, assim, conseguiram manter a comunicação entre os invasores e os nativos, expandindo também seu projeto de catequização e conquista definitiva da região. Depois de aprender a língua dos povos originários, os jesuítas criaram a língua geral, uma espécie de mistura entre o português do século XVI e o idioma tupi-guarani. A língua geral foi o idioma mais falado pela base da pirâmide brasileira até 1757, quando ele foi proibido definitivamente e o português foi decretado o idioma oficial da colônia. De acordo com historiadores, durante quase três séculos era com a língua geral que os brasileiros se comunicavam nos vilarejos, no comércio e até no ensino das escolas. Por volta ainda de 1530, Portugal passou a sequestrar povos africanos para trabalhos forçados na colônia da América. Eram pessoas de diferentes origens, nações e culturas, falantes de diversos idiomas, que foram obrigadas a aprender a língua do novo território para sobreviver.  O Brasil foi o país que mais explorou o trabalho forçado dos africanos em todo o mundo, por mais de trezentos anos. E a população escravizada do país se tornou superior à população livre. Os idiomas desses povos foram se fundindo ao português, ao longo dos séculos. Os livros de escola no Brasil costumam limitar a influência indígena e africana no português brasileiro a algumas palavras do cotidiano. Mas os especialistas afirmam que essa influência vai muito além. Como exemplo, podemos citar a marcação do plural apenas na primeira palavra da frase: “As criança brinca”. Um modo de falar típico de comunidades em que predomina a ascendência afro-indígena. A forma correta é “As crianças brincam”, mas o que parece um “erro” de gramática é na verdade um processo de “africanização” do português. Estudos mostram que muitas das línguas indígenas e africanas marcam o plural deste mesmo modo. Esses grupos étnicos foram historicamente excluídos do acesso à educação formal no país, por isso eles também não internalizaram muitas das estruturas gramaticais do idioma oficial. Com isso a “africanização” do português falado por eles ainda se mantém até hoje em variados contextos linguísticos. Entre os séculos XVI e XVII, outros povos europeus estiveram nas terras brasileiras na tentativa de conquista do território. Os Franceses construíram a França Antártida no Rio de Janeiro e a França Equinocial no Maranhão. E os holandeses estiveram por vinte anos no domínio de estados nordestinas como Bahia, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. Mesmo sendo expulsos pelos portugueses, eles deixaram sinais de sua passagem pelo país presentes na cultura desses lugares. Sinais às vezes mais visíveis no espaço, como a arquitetura, às vezes mais escondidos na cultura, como influências nos costumes e nos sotaques. No final do século XIX, o governo brasileiro acabou com o sistema de escravidão de seres humanos no Brasil. Por medo de acontecer aqui a mesma revolução que aconteceu no Haiti, o governo criou a “política de embranquecimento da população” e estimulou a imigração de europeus e asiáticos para o país. Os povos que mais chegaram aqui naquele momento foram os alemães, os italianos, os chineses e os japoneses. Políticas de assistência foram criadas para receber as famílias de imigrantes. Esses povos terminaram de temperar português brasileiro. Eles precisaram aprender os costumes e o idioma do lugar, mas também contribuíram com sua cultura e consequentemente influenciaram a língua que se fala hoje no Brasil. Assim o português do Brasil é o resultado da interação entre vários povos ao longo dos séculos. Cada um com a sua "cor" e em circunstâncias sociais específicas, usando o português europeu como ferramenta de comunicação entre eles. Foi dessa dinâmica sócio-histórica que surgiu o português brasileiro. Esta sopa linguística de sabores únicos, que assim como tudo no país abunda diversidade e multiculturalismo. Núbia Farias Vocabulário: Ingrediente: elemento de uma mistura de vários elementos. Um dos alimentos de um prato. Exemplo: os ingredientes do bolo são ovos, leite, açúcar... Tupinambá: língua da família tupi-guarani, Tupi-guarani: um dos mais importantes idiomas da América do Sul antes da colonização. Decretado: particípio do verbo decretar. Decretar: ordenar, regulamentar. Por exemplo: o presidente decretou a nova lei. Sequestrar:  levar uma pessoa para algum lugar por meio da força, ilegalmente. Cotidiano: dia a dia, rotina diária. Sotaques: maneira de falar um idioma, pronúncias diferentes de uma mesma língua. Escravidão: sistema de servidão, sistema que retira a liberdade do indivíduo. Temperar: adicionar condimentos para melhorar o sabor da comida Referências bibliográficas: A Arte da Gramática da Língua mais usada na Costa do Brasil – José de Anchieta. Editor: Coimbra: Antonio de Mariz. Data do documento:      1595. Como falam os Brasileiros – Yonne Leite e Dinah Callou. Editora: Jorge Zahar, 2004. O Brasil dos Imigrantes – Lúcia Lipi Oliveira. Editora: Zahar, 2000. Os Índios Antes do Brasil – Calos Fausto. Editora: Jorge Zahar, 2000. Preconceito Linguístico – Marcos Bagno. Editora‏: ‎ Parábola Editorial, 2015. Raízes do Brasil – Sérgio Buarque de Holanda, Editora: Companhia das Letras, 1997.

  • BORA X  EMBORA

    Em português a palavra “embora” pode ter mais de um sentido. Pode ser uma conjunção que liga duas ideias opostas. Como no exemplo: “Embora os brasileiros trabalhem muito, eles não conseguem ter um bom salário”. Pode ter também o significado de partida: “Ela foi embora para a Bahia e não voltou mais”. Este segundo significado se aproxima do uso em inglês de “go away”. “Ela vai embora amanhã”, “She goes away tomorrow”. O que poucos brasileiros sabem é que, com esse significado de partida, a palavra embora vem da expressão “em boa hora”. Essa frase era muito usada no português antigo para significar "em um momento certo". Então quando a pessoa dizia: “vou em boa hora” ela queria dizer que estava saindo em uma hora conveniente. A expressão passou por um processo de transformação fonética, mudou para “embora” e foi perdendo seu sentido original. Atualmente vemos esse mesmo fenômeno fonético se repetindo. A expressão: “Vamos embora!” (que corresponde ao "Let's go" do inglês ou do “Vamonos” do espanhol e ainda do “Allons-y” do francês) passou a ter diversas variações de pronúncia como “Vão bora!”, “Bora”, “Bora lá”, “Vambora" e "Simbora". A mais comum é a expressão "Bora", que, há algumas décadas, era usada somente pelos jovens. Hoje ela está na boca de pessoas de todas as gerações, já aparece nos dicionários e é muito presente no marketing publicitário. Então bora lá aprender o português brasileiro para viajar ao Brasil e poder falar com esse povo que é um dos mais divertidos do planeta! Bora lá? Professora Núbia Farias

  • Are Pronouns in Portuguese Confusing?

    PRONOMINAIS Dê-me um cigarro Diz a gramática Do professor e do aluno E do mulato sabido Mas o bom negro e o bom branco Da Nação Brasileira Dizem todos os dias Deixa disso camarada Me dá um cigarro. (Mário de Andrade) Para entender o poema acima do brasileiro Oswald de Andrade, você precisa saber que um dos maiores símbolos da diferença entre o português brasileiro e o português de Portugal é o uso dos pronomes. Quando falamos, nós brasileiros usamos os pronomes em desacordo com a gramática da língua portuguesa. Por exemplo, o “te” de “eu te amo”, corresponde ao pronome “tu”, mas os brasileiros não usam o “tu” para falar. Então o correto gramaticalmente seria dizer “eu o amo”. Porque o ”o” corresponde ao “você” que é usado no lugar de “tu” no Brasil. Uau! Muito confuso?! Sim pode parecer em um primeiro momento. Mas o segredo é entender que o português brasileiro apresenta uma grande diferença entre a língua formal escrita e a língua informal falada ou escrita. Então, no poema acima, “Dê-me um cigarro” é a forma gramatical usada para escrever em contexto formal e o “Me dá um cigarro” é a forma falada ou escrita em contextos informais do cotidiano brasileiro. Abaixo nós temos dois quadros com alguns dos pronomes mais usados na língua formal e informal: FORMA GRAMATICAL ESCRITA FORMAL FORMA COLOQUIAL FALADA OU ESCRITA INFORMAL EXEMPLOS: LÍNGUA ESCRITA FORMAL 1.       Tu és o amor da minha vida. Eu te amo! 2.       Júlio é um bom rapaz. Ele é o meu primo. E eu o vi ontem no parque. Sua casa fica perto do lago. 3.       Nós temos uma casa. Nossa casa fica perto do lago. 4.       Eles têm três carros. Seus carros são novos e grandes. LÍNGUA INFORMAL FALADA E ESCRITA 1.       Oi Ana! Tudo bem com você? Eu te mandei uma mensagem ontem à noite. 2.        Júlio é um bom rapaz. Ele é o meu primo. E eu vi ele ontem no parque. A casa dele fica perto do lago. 3.       Nós reservamos uma mesa no restaurante. A mesa 13 é da gente. 4.       Tchau Sofia! Mande um beijo pra sua mãe! Professora Núbia

  • Cinco Filmes para Entender a Cultura Brasileira

    Uma vez um aluno japonês me disse que todo o filme brasileiro parecia um documentário. Eu fiquei um pouco frustrada com a afirmação, mas a verdade é que a estética do documentário está presente em boa parte da ficção cinematográfica brasileira. Parece que, no Brasil, vivemos em circunstâncias tão surreais, que precisamos nos ver na tela como somos para reconhecer as nossas contradições e poder mudá-las. Eu separei, aqui neste artigo, cinco filmes que podem ajudar o estudante de português brasileiro a entender a cultura do país. Vamos lá? O primeiro deles é “Desmundo”, um filme de 2002, dirigido por Alain Fresnot. O filme se passa por volta de 1570, no nascimento da sociedade brasileira, e conta a história das órfãs que eram enviadas de Portugal para o Brasil e obrigadas a se casar com os colonos (em geral, homens brutos e sem família). Naquele momento não havia praticamente mulheres portuguesas no país e as mulheres que havia aqui para se relacionar com os homens da terra ocupavam, em geral, um lugar delicado de vulnerabilidade. Ou elas eram consideradas selvagens pagãs (as indígenas), ou mulheres sem famílias e dotes (as órfãs), ou seres sem alma, simples objetos sexuais (as africanas). Desmundo nos revela as bases originárias de um patriarcado que até hoje influencia um comportamento machista muito presente na sociedade brasileira. Outra curiosidade é que a obra foi filmada no português antigo e legendada no português brasileiro moderno. É bem interessante! O segundo filme é Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de 1995, com direção de Carla Camurati. A história se passa no início do século XIX, no Rio de Janeiro e o filme narra a vinda da família real para o Brasil, depois da invasão de Napoleão Bonaparte em Portugal. É uma sátira histórica que expõe as origens de conceitos de superioridade de classe que ainda se refletem na cultura brasileira. Além disso, com o filme, podemos entender como as relações da realeza com a colônia promoveram atos de corrupção que se tornaram uma prática até hoje difícil de ser eliminada. O terceiro é O Auto da compadecida, de 2000, dirigido por Guel Arraes.  O filme é uma comédia dramática que se passa no interior do Nordeste brasileiro, região mais pobre do país. A história acontece em torno das aventuras de dois rapazes tentando sobreviver à miséria. O filme apresenta, de maneira divertida, personagens arquétipos de grupos sociais brasileiros (a burguesia, a igreja, a política, os militares, os rebeldes e os pobres) e mostra as tensões presentes nas relações de poder estabelecidas entre eles. Com esse filme você vai observar temas muito comuns na realidade brasileira como desigualdade social, miséria, fé e abuso de poder, além de entender a diversidade cultural entre as diferentes regiões do país. O quarto é Saneamento básico, O Filme, de 2007, dirigido por Jorge Furtado. Uma comédia que conta a história dos moradores de uma pequena comunidade no Sul do Brasil. Eles precisam construir uma fossa para resolver um problema como o esgoto. E a administração da cidade afirma não ter verba para resolver essa questão, mas tem dinheiro direcionado à produção de um filme. Assim os moradores iniciam a criação independente de um filme qualquer, somente para obter o dinheiro e construir a fossa. Saneamento básico, o filme mostra como é a relação do cidadão comum brasileiro com o poder público. Problemas como excesso de burocracia, contradição dos políticos, alienação política dos cidadãos e a baixa educação da população são expostos de maneira irônica e divertida. O quinto e último é Que horas ela volta?, de 2015, dirigido por Anna Muylaet. Filme do gênero drama conta a história de uma mulher que muda do Nordeste para São Paulo fugindo da pobreza e passa a trabalhar como empregada doméstica. Anos depois ela entra em choque cultural com a filha, porque ela não aceita a exploração no trabalho com a qual a mãe está acostumada. O filme revela as grandes transformações sociais ocorridas no Brasil durante os anos 2000 e a resistência da classe média em dividir os mesmos espaços com as classes baixas. Além disso ele mostra também como a herança da escravidão ainda está presente nos hábitos cotidianos dos brasileiros. É claro que existem outros tantos filmes interessantes para entender a cultura do Brasil! Mas como são muitos, eu falo mais sobre outros nos próximos artigos. Até lá!

  • Afinal, Quem é Fulano?

    Quem está aprendendo o português brasileiro e pratica o idioma conversando com brasileiros ou assistindo filmes e séries na certa já escutou o nome “Fulano”. Geralmente esse nome aparece no meio de uma história que alguém está contando. E o aluno de português provavelmente se pergunta: Mas quem será esse Fulano? Não se engane! Fulano não é um nome real, é um apelido, um codinome usado para se referir a uma pessoa indeterminada, ou para se referir a alguém que por alguma razão específica nós não queremos ou não podemos revelar o nome. Por exemplo: “Ele faz muita fofoca no trabalho, fala mal de Fulano e depois conversa com ele amigavelmente”, “Eu estava na rua e vi um Fulano correndo da polícia” Em diversos países nomes fictícios são usados para se referir a pessoas desconhecidas. Por exemplo nos Estados Unidos costuma-se dizer: “Jonh Doe”, na França eles usam o “Madame Unetelle” e na Alemanha “Max e Erika Mustermann”. No português brasileiro ele pode vir acompanhado de mais dois outros nomes também fictícios que são Beltrano e Sicrano, sempre nessa sequência. Por exemplo: “Todos estavam na reunião: Fulano, Beltrano e Sicrano.” Os dicionários dizem que o nome Fulano vem do árabe (Fulân) e nesse idioma ele tinha o significado de tal (pronome demonstrativo). Não é certa a origem do nome Sicrano, alguns dizem que vem do árabe e significava bêbado, outros dizem que vem da língua espanhola e que significava um chamamento como “ei”, “psiu” ou “hey you” do inglês. E Beltrano vem do francês e era um nome masculino, o Beltran. No português brasileiro, Fulano tem variações como Fulano de Tal, Fulaninho e Fulaninho de Tal. Essas duas últimas são usadas, geralmente, com significado depreciativo. Por exemplo: “Aquele Fulaninho da casa da frente sempre deixa as fezes do cachorro dele na minha calçada.” Em geral essas variações são usadas em contextos informais. Mas o Fulano pode aparecer também em contextos formais como em documentos, utilizado para representar uma pessoa com o nome real não conhecido pelo leitor. O importante agora é que você já pode reconhecer o nome Fulano quando você escutar em uma conversa e não ficar perdido achando que não conhece o personagem da história, porque Fulano, Beltrano e Sicrano podem ser qualquer pessoa! Professora Núbia

  • O “PÉ” NO PORTUGUÊS BRASILEIRO

    Em português existem várias expressões com aquela parte do corpo que nos conecta à terra: o pé. Pé d’água, pé quente, pé de guerra, pé de fruta, pé de igualdade, pé atrás, andar a pé, meter o pé e por aí vai... As expressões são as mais diversas e muitas delas não tem uma relação direta com o pé. Separei algumas delas aqui para vocês. Vamos começar com um pé de fruta. Neste caso pé é usado para se referir a uma planta ou uma árvore frutífera e em geral aparece acompanhado do fruto. Por exemplo: “O pé de manga é muito grande, mas o pé de tomate é pequeno.” E qual a origem dessa expressão? Não sabemos! Poderíamos associar a forma do pé à forma da planta ou da árvore na vertical? Sim, mas seria mais apropriado então chamar a árvore de perna de manga. Mas acho que quem inventou a expressão gostava mais dos pés do que da perna. Vai saber! Há aquelas que usam o pé no sentido literal, por exemplo andar a pé que significa caminhar em oposição a se transportar com veículos como carro, ou barco: “Ela vai à praia a pé”. E meter o pé que significa sair, ir embora: “Está tarde, preciso ir, vou meter o pé”. Um dos significados do verbo meter é botar, pôr, colocar. Então quando você sai de um lugar, você coloca o pé no chão para caminhar, logo meter o pé no chão é igual a meter o pé. Outras duas expressões que se refere à posição dos pés é estar em pé de igualdade e estar com o pé atrás. A primeira significa que você está no mesmo nível de competição. Pé com pé, ou seja, os corredores estão na mesma direção para começar uma corrida, por exemplo: “Os dois atletas são fortes, eles estão em pé de igualdade”. E estar com o pé atrás é quando você suspeita de algo em alguma situação. Nesse caso é possível visualizar a imagem de alguém que, por medo de enfrentar o que está a sua frente, dá um passo para trás: “Ele está com o pé atrás em relação aos amigos do trabalho”. Ou seja, ele está suspeitando dos amigos. Existem aquelas associadas ao clima como pé d’água, que significa uma chuva muito forte. “Ontem caiu um pé d’água, mas hoje já está fazendo sol de novo”.  Há o pé quente que é quando alguém tem sorte: “Ele traz sorte para o vendedor, toda vez que ele entra na loja, logo depois muitos clientes entram também, ele é pé quente”. Há também o pé de guerra, que é a situação de quando duas pessoas brigam muito: “Eles são um casal estranho, vivem em pé de guerra, mas não se separam”. E para o final eu deixei a que eu mais gosto, que é meter o pé na jaca. Jaca é uma fruta grande e essa expressão significa passar dos limites. E pode ser usada em muitos contextos. Geralmente é usada nos contextos de festas em que uma pessoa bebe muito e passa dos limites: “Ontem, na festa o chefe meteu o pé na jaca, bebeu muito, dançou muito e até subiu na mesa, foi divertido!”. Então agora você já conhece algumas das expressões com o pé em português. Só cuidado para não meter o pé na jaca e começar a usá-las indiscriminadamente. O conselho que dou é primeiro observe os contextos em que elas são usadas para depois começar a praticar. Agora eu vou meter o pé porque já está na minha hora!

  • Sete Séries na Netflix para aprender o Português Brasileiro

    Vocês que estão aprendendo português brasileiro já sabem o quanto filmes e séries são uma excelente ferramenta para aprendeu um idioma. Então aí vai uma lista de sete séries brasileiras que podem lhes ajudar nos estudos! 1.       Cidades invisíveis: Série sobre os seres mágicos do folclore brasileiro com o tema central no meio ambiente. Série de romance e ação. Sinopse: Após uma tragédia familiar, um homem descobre criaturas folclóricas vivendo entre os humanos e logo se dá conta de que elas são a resposta para seu passado misterioso. 2.       Bom dia, Verônica: Série de ação e distopia, trata temas sérios da sociedade brasileira como machismo, corrupção e violência. Sinopse: Uma policial investiga um predador sexual e acaba descobrindo um casal com um segredo horrível e um esquema de corrupção sinistro. 3.       Coisa mais linda. A série fala sobre emancipação feminina e mostra o desenho de uma sociedade que se transformou na cultura carioca que existe hoje. Sinopse: uma mulher chega ao Rio dos anos 50 para encontrar o marido e descobre que foi abandonada. Em vez de sofrer, ela decide ficar na cidade e abrir um clube de bossa nova. 4.       3%: Série futurista de ação e distopia. Sinopse: Em um futuro onde a elite vive no conforto do Maralto, todos os jovens de 20 anos passam por um processo seletivo para viver lá. Mas só 3% serão aprovados. 5.       O mecanismo. A série é inspirada nas investigações da Operação Lava Jato. Sinopse: Marco Ruffo um agente da Polícia Federal obcecado pelo caso que está investigando e quando menos espera está mergulhado numa das maiores investigações de desvio e lavagem de dinheiro da história do Brasil. 6.       Irmandade: Série de ação. Sinopse: Uma advogada honesta enfrenta um dilema moral depois que policiais a forçam a delatar seu irmão, que está preso e lidera uma facção criminosa em ascensão. 7.       7 Prisioneiros: Série que fala sobre o trabalho escravo no Brasil atual. Sinopse: Um jovem humilde precisa escapar das garras de um traficante de pessoas. Será que ele vai conseguir se manter fiel aos seus princípios enquanto luta para sobreviver?

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