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Cinq films pour comprendre la culture brésilienne

Dernière mise à jour : 9 avr.

Uma vez um aluno japonês me disse que todo o filme brasileiro parecia um documentário. Eu fiquei um pouco frustrada com a afirmação, mas a verdade é que a estética do documentário está presente em boa parte da ficção cinematográfica brasileira. Parece que, no Brasil, vivemos em circunstâncias tão surreais, que precisamos nos ver na tela como somos para reconhecer as nossas contradições e poder mudá-las. Eu separei, aqui neste artigo, cinco filmes que podem ajudar o estudante de português brasileiro a entender a cultura do país. Vamos lá?



O primeiro deles é “Desmundo”, um filme de 2002, dirigido por Alain Fresnot. O filme se passa por volta de 1570, no nascimento da sociedade brasileira, e conta a história das órfãs que eram enviadas de Portugal para o Brasil e obrigadas a se casar com os colonos (em geral, homens brutos e sem família). Naquele momento não havia praticamente mulheres portuguesas no país e as mulheres que havia aqui para se relacionar com os homens da terra ocupavam, em geral, um lugar delicado de vulnerabilidade. Ou elas eram consideradas selvagens pagãs (as indígenas), ou mulheres sem famílias e

dotes (as órfãs), ou seres sem alma, simples objetos sexuais (as africanas). Desmundo nos revela as bases originárias de um patriarcado que até hoje influencia um comportamento machista muito presente na sociedade brasileira. Outra curiosidade é que a obra foi filmada no português antigo e legendada no português brasileiro moderno. É bem interessante!


O segundo filme é Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de 1995, com direção de Carla Camurati. A história se passa no início do século XIX, no Rio de Janeiro e o filme narra a vinda da família real para o Brasil, depois da invasão de Napoleão Bonaparte em Portugal. É uma sátira histórica que expõe as origens de conceitos de superioridade de classe que ainda se refletem na cultura brasileira. Além disso, com o filme, podemos entender como as relações da realeza com a colônia promoveram atos de corrupção que se tornaram uma prática até hoje difícil de ser eliminada.





O terceiro é O Auto da compadecida, de 2000, dirigido por Guel Arraes.  O filme é uma comédia dramática que se passa no interior do Nordeste brasileiro, região mais pobre do país. A história acontece em torno das aventuras de dois rapazes tentando sobreviver à miséria. O filme apresenta, de maneira divertida, personagens arquétipos de grupos sociais brasileiros (a burguesia, a igreja, a política, os militares, os rebeldes e os pobres) e mostra as tensões presentes nas relações de poder estabelecidas entre eles. Com esse filme você vai observar temas muito comuns na realidade brasileira como desigualdade social, miséria, fé e abuso de poder, além de entender a diversidade cultural entre as diferentes regiões do país.



O quarto é Saneamento básico, O Filme, de 2007, dirigido por Jorge Furtado. Uma comédia que conta a história dos moradores de uma pequena comunidade no Sul do Brasil. Eles precisam construir uma fossa para resolver um problema como o esgoto. E a administração da cidade afirma não ter verba para resolver essa questão, mas tem dinheiro direcionado à produção de um filme. Assim os moradores iniciam a criação independente de um filme qualquer, somente para obter o dinheiro e construir a fossa. Saneamento básico, o filme mostra como é a relação do cidadão comum brasileiro com o poder público. Problemas como excesso de burocracia, contradição dos políticos, alienação política dos cidadãos e a baixa educação da população são expostos de maneira irônica e divertida.





O quinto e último é Que horas ela volta?, de 2015, dirigido por Anna Muylaet. Filme do gênero drama conta a história de uma mulher que muda do Nordeste para São Paulo fugindo da pobreza e passa a trabalhar como empregada doméstica. Anos depois ela entra em choque cultural com a filha, porque ela não aceita a exploração no trabalho com a qual a mãe está acostumada. O filme revela as grandes transformações sociais ocorridas no Brasil durante os anos 2000 e a resistência da classe média em dividir os mesmos espaços com as classes baixas. Além disso ele mostra também como a herança da escravidão ainda está presente nos hábitos cotidianos dos brasileiros.



É claro que existem outros tantos filmes interessantes para entender a cultura do Brasil! Mas como são muitos, eu falo mais sobre outros nos próximos artigos. Até lá!

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